Dicas de leitura sobre o mundo árabe para a quarentena de adultos e crianças

ter, 28/04/2020 - 21:03

 

Por Jéssica Marques

Com a pandemia do novo coronavírus, a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) segue a mesma: intensificar hábitos de higiene e manter o isolamento social. Assim, muitas pessoas estão ficando bastante tempo em casa.

O momento é oportuno para o aprendizado. Desta forma, separamos uma lista com dicas de leitura sobre o mundo árabe para a quarentena. E tem dicas também para os pequebos (veja ao final).

Confira abaixo os principais livros sobre o assunto:

1 - Declínio e Queda do Império Otomano - Alan Palmer. Ed.Globo Livros, 2014.

Declínio e queda do Império Otomano, um dos trabalhos mais importantes do historiador inglês Alan Palmer, ganha edição pela Coleção História da Globo Livros. Apoiado em extensa pesquisa, Palmer refaz toda a trajetória do Império Otomano para explicar o que deu errado no projeto de poder global dos sultões de Constantinopla.

2 - O Império Otomano das origens ao séc. XX- Donald Quataert. Edições 70, Portugal, 2015.

Numa abordagem clara e concisa, este livro traça o percurso do Império Otomano, que, no seu auge, se estendeu por vários continentes; das portas da Europa ao Crescente fértil, de Jerusalém ao Norte de África, a instituição do Califado abarcou milhões de súbditos de diferentes culturas e civilizações, mas sempre com o Islão como pólo aglutinador. Assim, esta obra analisa o império nas suas vertentes sociológica, administrativa, económica e política - relações internacionais, comerciais, estruturas de governo, economia, sociedade -, em especial desde 1700 até à sua queda, em 1922.

Compreender a desagregação deste império após a Grande Guerra é, pois, perceber a génese de alguns conflitos que eclodiram em diferentes regiões do Médio Oriente, mas também na Europa, como no caso do Kosovo.

3 - Os Libaneses - Murilo Meihy. Ed. Contexto, 2016.

libanesesUm país pequeno e distante abriga um povo longe de ser desconhecido pelos brasileiros: os libaneses imigraram em peso para cá e trouxeram seus costumes e sua cultura. Este livro, escrito pelo historiador descendente de libaneses Murilo Meihy, mostra características, discute estereótipos e traz esse povo alegre e sofrido ainda mais perto dos brasileiros. Quem são e como vivem os libaneses? Um simples passeio pelas ruas das suas grandes cidades revela que o Líbano é uma encruzilhada cultural onde os clichês mais clássicos sobre a relação entre Oriente e Ocidente se dissolvem. As camisas de marcas famosas do Ocidente, os penteados ousados que mais parecem esculturas modernistas e as maquiagens pesadas são vistos lado a lado com véus islâmicos e correntes de ouro com pingentes em formato de cruz. Recheado de bom humor, relatos cotidianos e um panorama histórico, além de mapas e fotos, o texto mostra as raízes milenares do país, os anos de paz e de guerras, a geografia e a economia, a luta das mulheres e a diáspora. Esta obra é um convite para os brasileiros descobrirem as verdadeiras riquezas desse povo multifacetado e tão importante para a formação do Brasil.

4 - Noite Grande - Romance de um palestino no Brasil - de Permínio Asfora, 2012.

Este livro é um romance sobre as tragédias enlaçadas de dois povos: do palestino, confrontado com a ocupação de sua pátria; e do nordestino do alvorecer do Século XX, compelido a sobreviver ao latifúndio escravocrata da região dos carnaubais do Piauí.

Esta obra, marcada pela riqueza de enredo e personagens, inaugura o ingresso na literatura brasileira de um palestino como personagem central.

5 - Lembranças Minurcas - Histórias de Sírios-Libaneses-Mineiros-Guaxupeanos - de Romeu Abílio, 2015.

livroO neologismo minurco é a aglutinação de mineiro e turco. No começo do século 20, muitos imigrantes árabes chegaram ao Brasil com documentos turcos e como tais ficaram conhecidos. A grande maioria era da Síria e do Líbano e escapavam do esfacelamento do Império Otomano e da Primeira Guerra Mundial. Nesta obra, o autor, neto e filho de libaneses, retrata a história da imigração dos seus familiares desde a Síria e o Líbano até a cidade de Guaxupé, no sul de Minas Gerais. O município chegou a ter cerca de 400 famílias proveniente do Oriente Médio, que contribuíram para os costumes, gastronomia, vida econômica, política, social e religiosa, tendo uma igreja cristã ortodoxa. O pai de Abílio, o minurco Jesus, não chegou a conhecer o avô do autor, que, acredita-se, morreu na 1ª. Grande Guerra, combatendo ao lado dos turcos otomanos. Quando a família decidiu vir para o Brasil, foi para outra cidade mineira, Ventania ( hoje Alpinópolis-MG), onde vivia um tio-avô ( João Miguel). Depois, foram para Guaxupé-MG. As razões de agregarem tantos sírios-libaneses nesta cidade tem a ver com sua importância na cafeicultura, com considerável comércio, a estação da Cia. Mogiana, a Igreja Ortodoxa Antioquina Santo Elias Profeta e a procedência de pequenas comunidades e ligações familiares. A maioria oriunda das cidades de Homs na Síria e Trípoli, Meziara, Saída, Baino Akar, Zahlé no Líbano. Devido aos laços de parentesco e a tendência de serem de uma mesma cidade ou vilarejo, determinou a concentração especial de algumas famílias, Sabbag, Abrão, Tauil, Elias, Abdalla, Farah, Salomão, Cury, Zaiat, Calil e Nehemy. Ainda, no livro, o autor revela a condição social desse grupo, bem diversificada, com pessoas de estamento social diferenciado, desde simples operários, artesãos, mascates, até grandes comerciantes e industriais, mas que teriam tido uma convivência harmoniosa e construtiva, fundada na ligação religiosa. As lembranças do autor seguem a sua trajetória de vida. Revela o pensamento e o modo de vida do pai, o minurco Jesus, o esforço e a dedicação da mãe na criação dos filhos. O autor se apresenta como um acurado observador das relações familiares e de algumas outras famílias sírias-libanesas. Faz, outrossim, um relato de sua trajetória de vida, com passagem pelo seminário, o trabalho em empresas em São Paulo, as graduações em História e em Direito, o ingresso na Magistratura paulista. Em passant, interessantes estórias são contadas, que tornam o livro de agradável e proveitosa leitura.

6 - O mundo falava árabe - A civilização árabe-islâmica clássica através da obra de Ibn Khaldun e Ibn Battuta - de Beatriz Bissio, 2012.

Esta obra desconstrói equívocos e preconceitos que associam os árabes ao fanatismo, ao atraso e ao bárbaro. A análise feita aqui revela outro universo ― culto, dinâmico, aberto aos mares longínquos, que valora a escrita, o convívio harmônico entre campo e cidade e o conhecimento. Fruto de densa pesquisa acadêmica da autora, o recorte temático teve por base a categoria de espaço. Partindo do pressuposto de que a noção de espaço é constituída e constituinte das relações sociais e da própria cultura árabe, a historiadora mostra como o campo do religioso islâmico fornece os elementos básicos para a ordenação e representação espacial. A noção de pertencimento estrutura-se, neste universo, à estreita relação mundo civilizado/mundo urbano e hierarquiza-se a partir de um ponto de referência sacralizado: Meca.

7 - Do outro lado do destino - A história de coragem, força e determinação da mulher que enfrentou o talibã - de Siba Shakib, 2001.

A história de Shrin-Gol poderia ser também a de muitas afegãs. Uma vida sob o domínio do regime talibã, com um marido viciado em ópio, resistindo a estupros, à prostituição forçada e a uma tentativa de suicídio. Mas, fundamentalmente, é um relato de coragem, generosidade, convivência, amizade, resistência, determinação e amor. Narrada com rara sensibilidade, e a biografia comovente de uma mulher corajosa em busca de uma vida melhor, em que seus filhos possam vislumbrar um futuro distante do terror, do medo e da pobreza.

8 - Bússola - Romance - de Mathias Enard, 2018.

Romance premiado com o Goncourt, um dos mais importantes prêmios literários do mundo, Bússola é uma meditação musical e encantatória sobre Oriente e Ocidente, sobre “nós” e os “outros”. Cai a noite sobre Viena e Franz Ritter, um musicólogo apaixonado pelo Oriente Médio, procura em vão dormir, à deriva entre sonhos e memórias, melancolia e febre. Revisitando sua vida – suas numerosas estadias em Istambul, Alepo, Damasco, Palmira, Teerã –, seu amor por Sarah, uma erudita francesa dona de uma inteligência feroz, e a memória de outros viajantes, aventureiros, acadêmicos e artistas do Ocidente que se apaixonaram pelo “outro” não europeu, Ritter (portador de uma doença aniquiladora) atravessa a noite numa vertigem de memórias, viagens e histórias. Bússola é uma declaração de amor e uma jornada em busca da diferença, entre Ocidente e Oriente, entre ontem, hoje e amanhã. Um inventário sobre os traços que nos distinguem uns dos outros, e uma aposta – cheia de sabedoria – sobre aquilo que nos faz tão próximos e humanos.

9 - O caminho de Abraão - Romance histórico - de Jamil Chade, 2018.

romaceOs horrores da guerra da Síria e a tocante história do patriarca das maiores religiões do mundo se entrelaçam no primeiro romance do jornalista Jamil Chade Neste romance histórico, estreia do jornalista Jamil Chade na ficção, acompanha-se a trajetória de Hagar, uma francesa filha de imigrantes argelinos que supera todas as limitações de sua vida na periferia de Marselha para estudar nas melhores universidades da França. Contratada por uma multinacional, ela é enviada para coordenar investimentos milionários de uma fábrica de cimento na Síria, antes da guerra. Mas o confronto iniciado em 2011 leva a jovem a cumprir ordens criminosas de sua direção em Paris, e ela se envolve em um dos conflitos mais sangrentos e cruéis das últimas décadas. A história de Hagar se entrelaça, então, à de milhares de sírios que tentam driblar diariamente a morte, na tentativa desesperada de escapar dos horrores da guerra. Nessa fuga, seus caminhos pelo Oriente Médio acabam refletindo os míticos passos que Abraão, o patriarca das três grandes religiões monoteístas do mundo, traçou há milênios.

10 - A Line in the Sand - James Barr, 2012.

Por meio de um elenco estelar de políticos, diplomatas, espiões e soldados - incluindo T.E. Lawrence, Winston Churchill e Charles de Gaulle - 'A Line in the Sand' conta a história da era curta, mas crucial, de quando a Grã-Bretanha e a França governaram o Oriente Médio.

11 - Poemas – Adonis, 2012.

Adonis não foi só o principal renovador da poesia árabe, realizando uma revolução poética que, no Ocidente, exigiu o trabalho de inúmeros autores de diversas procedências. É, ainda hoje, uma das vozes fundamentais dessa cultura, na qual se destaca pela constante insubmissão à dominante religiosa. Na poesia de Adonis, mais do que a polifonia das várias vozes, encontramos o politeísmo das múltiplas verdades. Contra a certeza de um Deus, a verdade plural das musas. Não por acaso, adotou o nome de um deus pagão para assinar seus poemas - em que a presença da cultura prê-islâmica e pan-mediterrânea é fortíssima. Não se trata somente de um posicionamento poético, mas, sobretudo, político. Daí que Adonis, embora entusiasta das manifestações conhecidas como Primavera Árabe, mantém-se crítico em relação aos desdobramentos, especialmente quando a demanda por liberdade é capturada por fundamentalistas islâmicos e pelas antigas nações coloniais. Também dissente das soluções armadas (seu pacificismo radical fica claro nos poemas sobre Beirute e Nova York, recolhidos nesta antologia). E repugna-o a hipocrisia do Ocidente: “Se os ocidentais querem defender os direitos humanos dos árabes, eles devem começar defendendo os direitos dos palestinos”, observou numa entrevista. “O vinho que corre na veia da melhor poesia árabe também circula nos poemas de Adonis. O vinho como metáfora da grande poesia: assombro, prazer, embriaguez do conhecimento, e uma percepção expansiva da realidade e do eu lírico, capaz de expressar um sentido aguçado de beleza e alcançar o sublime.”

12 - História da Palestina Moderna - Uma terra, Dois Povos - Ilan Pappe, ed. Caminho Nosso Mundo, 2007.

Este livro aborda a história da Palestina, uma terra habitada por dois povos, com duas identidades nacionais. Inicia-se no século XIX, no período otomano, passa pela criação do Estado de Israel em 1948 e as subsequentes guerras e conflitos, e termina na Intifada de al- Aqsa, no dealbar do século XXI. É uma história em que se encontra coexistência e até cooperação, mas sobretudo opressão, ocupação e exílio. Lúcido e directo, é de leitura indispensável para todos quantos se preocupam com os destinos do Médio Oriente.

13 - The Biggest Prison On Earth- A History of the Occupied Territories, Ilan Pappe, ed. Oneword, 2017, England.

Uma história poderosa e inovadora dos Territórios Ocupados de um dos historiadores mais influentes de Israel.

14 - Al Nakba – um estudo sobre a catástrofe palestina, Soraya Misleh, ed. Sundermann, 2017, Brasil.

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Neste conciso e notável relato histórico sobre a catástrofe na Palestina em 1948, a jornaista Soraya Misleh, diretora do ICArabe, transcreve a fala de alguns sobreviventes de Qaqun, uma das centenas de aldeias e vilarejos destruídos por forças palamilitares sionistas. Além de analisar as origens da ideologia sionista – conceito-chave para a compreensão da Nakba -, a autora dá voz a alguns palestinos que, forçados a deixar sua terra, sobrevivem penosamente em campos de refugiados. Mas, apesar da extrema brutalidade da limpeza étinica, a Palestina e seu povo não desaparecem. Ou, como diz um sobrevivente da catástrofe: 'A Palestina é um nome e um corpo, uma coisa amável que jamais se esquece'.

14 - Invasion Syria, 1941- Churchill and de Gaulle's Forgotten War, Henri de Wailly, ed.I.B.Tauris -2016, London.

No auge da Segunda Guerra Mundial, enquanto os alemães estavam de olho em Moscou, forças francesas, britânicas e australianas livres lançaram um ataque ao exército francês de Vichy no Oriente Médio em 8 de junho de 1941. Essa iniciativa conjunta de Churchill e de Gaulle - codinome "Operation Exporter" - levou a um dos conflitos mais chocantes da Segunda Guerra Mundial. Foi uma tentativa das forças aliadas de causar deserções em massa das forças de Vichy para os franceses livres? Ou Churchill e De Gaulle foram motivados a reafirmar seu respectivo controle do Oriente Médio? A luta causou a perda de 10.000 vidas, numerosos navios e cerca de 200 aeronaves.

As forças australianas, sob o comando do tenente-general John Lavarack, realizaram a maior parte dos combates e sofreram o maior número de baixas. O exército de Vichy foi derrotado, mas mesmo durante a amarga campanha, os aviadores franceses livres se recusaram a disparar contra seus compatriotas de Vichy. Aqui Henri de Wailly apresenta a história dessa extraordinária campanha das forças britânicas, australianas e francesas contra as forças francesas de Vichy na Síria e no Líbano, cuja verdadeira extensão foi amplamente esquecida.

15 - The Fall of the Ottomans- The great war in the middle east , Eugene Rogan - Basic Books, 2015, New York.

Em 1914, os poderes da Europa estavam deslizando inexoravelmente em direção à guerra e puxaram o Oriente Médio para um dos conflitos mais destrutivos da história da humanidade. Em The Fall of the Ottomans, o premiado historiador Eugene Rogan traz à vida a Primeira Guerra Mundial e suas consequências imediatas no Oriente Médio, descobrindo a história frequentemente ignorada do papel crucial da região no conflito.

Ao contrário dos campos estáticos de matança da Frente Ocidental, a guerra no Oriente Médio era veloz e imprevisível, com os turcos infligindo derrotas decisivas à Entente em Gallipoli, Mesopotâmia e Gaza antes que a maré da batalha mudasse a favor dos Aliados . O acordo do pós-guerra levou à divisão das terras otomanas, preparando as bases para os conflitos em curso que continuam a atormentar o mundo árabe moderno. Uma narrativa abrangente de batalhas e intrigas políticas de Gallipoli à Arábia, essa é uma leitura essencial para quem procura entender a Grande Guerra e a construção do moderno Oriente Médio.

16- Turkey - a modern history - Erik J. Zurcher, ed. I.B. Tauris, 2017, London, New York.

O livro fala sobre a contínua incorporação da Turquia ao mundo capitalista e a modernização do estado e da sociedade. Começa com o estabelecimento de laços mais estreitos com a Europa após a Revolução Francesa e a nova face do Império Otomano no século XIX. Zurcher argumenta que a história da Turquia, entre 1908 e 1950, deve ser vista como uma unidade e oferece uma interpretação fortemente revisionista do pai fundador da Turquia, Kemal Ataturk. Em seu relato do período desde 1950, Zurcher se concentra em: o crescimento da política de massa; os três golpes militares; a questão espinhosa do histórico de direitos humanos da Turquia; integração na economia global; a aliança com o Ocidente e relações com a comunidade europeia; Relações ambivalentes da Turquia com o Oriente Médio; as perguntas curdas cada vez mais explosivas; a crise econômica de 1994; e a contínua instabilidade política e crescimento do Islã.

17- The Ottoman Endgame - War, Revolution and the making of the modern Middle East, 1908-1923 - Allen Lane, an imprint of Penguin Books. Penguin Random House, UK, 2015.

Uma releitura surpreendente da história do século XX, da perspectiva otomana, oferecendo novas e profundas ideias sobre a Primeira Guerra Mundial e o Oriente Médio contemporâneo,

18 - A History of the Middle East - Peter Mansfield- revised and updated by Nicolas Pelham, Penguin Books, fourth edition, 2013, Great Britain.

A história definitiva do Oriente Médio, completamente revisada e atualizada.

19 - O Islã Clássico - org. Rosalie Helena de Souza Pereira, ed. Perspectiva, 2007.

Se considerarmos a importância de vencer a lacuna cultural que, no Brasil, tem marcado nossa ignorância sobre o mundo árabe, este livro é um marco decisivo ao romper o silêncio e deixar que ouçamos as vozes da cultura islâmica. De seus múltiplos aspectos, destacamos três que nos parecem dos mais relevantes neste belo livro. Graças à sua estrutura interdisciplinar e à organização comparativa dos ensaios, torna manifesta a particularidade da língua e da literatura, da história e do direito, das práticas e do pensamento árabes, e, simultaneamente, revela sua universalidade, responsável por seu papel cabal na formação do pensamento judaico e cristão e, portanto, na constituição da cultura do Ocidente. Ao fazê-lo, ressalta o segundo aspecto, qual seja, seu significado político, pois nosso desconhecimento do modo de ser e viver, de dizer e pensar próprio da cultura islâmica nos torna presas fáceis dos interesses de uma ideologia que transforma os árabes em fanáticos religiosos, terroristas inimigos da paz e da liberdade. Deixamo-nos persuadir pela imagem do bárbaro, figuração malévola do Outro como aquele que põe em perigo nossa identidade e contra o qual é preciso defender-se. Os ensaios aqui publicados desfazem de maneira vigorosa essa imagem preconceituosa e nos conduzem tanto à compreensão do sentido da diferença cultural como à percepção da proximidade entre Oriente e Ocidente no momento da instauração da cultura ocidental, convidando-nos a acolher a diferença e a reconhecer no distante o próximo. Finalmente, este livro atesta de maneira inequívoca a qualidade e a riqueza teóricas, o rigor conceitual e a abertura de novos caminhos interpretativos, bem como o alto grau de desenvolvimento dos trabalhos acadêmicos ibero-brasileiros dedicados às múltiplas facetas do Islã clássico.

20 - Arabia Brasilica - Alberto Sismondini, ed. AE- Ateliê Editorial, Coleção Estudos Árabes, 2017.

Surge, nestas páginas, um estudo dedicado a alguns autores brasileiros de origem libanesa. Às três Arábias do mundo clássico acrescenta-se, então, uma Arabia Brasilica. Os autores considerados são Salim Miguel, jornalista e escritor, que transforma em romance (Nur na Escuridão) a história de sua família, marcada pela diáspora; Milton Hatoum, nascido na Amazônia e cantor de Manaus com Relato de um Certo Oriente e Dois Irmãos; Raduan Nassar, autor de poucos livros, mas de grande destaque na literatura brasileira dos últimos trinta anos, aqui presente com Lavoura Arcaica e Copo de Cólera.

21 - “Música árabe - expressividade e sutileza”, de Marcia Dib

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Quando Marcia Dib, bailarina, coreógrafa e professora de danças árabes, fez sua dissertação de mestrado, “A diversidade cultural da Síria através da música e da dança”, pela FFLCH/USP, em 2009, sentiu falta de material teórico sobre música árabe, sobretudo em português. Para fazer as referências necessárias no trabalho, ela precisou escrever um capítulo falando somente sobre a estrutura e principais características da música árabe. Com base neste capítulo especial e em pesquisas pós-mestrado, nasceu o livro “Música árabe - expressividade e sutileza”

Informações e compras: marciadib@hotmail.com

 

Livros infantis 

E que tal aproveitar este período que as crianças estão em casa e incentivar a leitura? Algumas dicas de livros que abordam a cultura árabe:

infato

Meu avô árabe, de Maisa Zakzuk

Scherazade - Histórias De As Mil E Uma Noites - Ed.Paulinas

Histórias árabes, Ana Maria Machado

Quem tomou o meu sorvete? e Sissi Malaket inventando moda, de Rania Zaghir

Laila responda-me!, de Nadine Kaadan

Meu Ego e Eu: Um Fardo Pesado, de Gulnar Hajo