Oriente Médio: a pérola desconhecida

ter, 06/08/2019 - 11:37
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Por Márcia Moussallem

Durante algum tempo relutei a escrever sobre o Oriente Médio, talvez pela saudade gigantesca do meu querido pai. Mas escrever é uma das formas de deixarmos a nossa alma mais acalentada, minimizando a dor da saudade.

Como não falar de um povo que tem uma longa história e legado de riquezas imensuráveis? Contribuição no campo da filosofia, arquitetura, matemática, política, astronomia, literatura, arte, entre outros. Berço da civilização onde tudo começou.

Por outro lado, história marcada por problemas e conflitos. Tanto na relação com o Ocidente, vítimas de exploração e autoritarismo, bem como nas questões internas entre vizinhos e irmãos.

Entretanto é importante levar em consideração as especificidades dos países do Oriente Médio, seja na questão palestina, seja nos conflitos religiosos do Líbano, da Arábia Saudita, da Síria, do Egito, entre outros. Eles perduraram com maior ou menor intensidade, mas fazem parte das contradições existentes.

Infelizmente o mundo ocidental simplifica ou distorce por meio de uma parte da grande mídia as questões que envolvem o Oriente Médio, definindo-o como o “mundo dos “bárbaros”, “terroristas”, “não desenvolvidos”.

Pouco se conhece, se entende e compreende verdadeiramente sobre esse outro mundo. Isso só nos mostra a ignorância e o preconceito do mundo ocidental, ou de uma grande parte dele. Lamentável não aprender com esses povos milenares o que há de mais singelo no seu modo de vida simples e espontâneo, sua honra, sua dignidade, sua espiritualidade, sua alegria, sua cordialidade, sua generosidade.

Lembro de um artigo do grande escritor e diplomata libanês Mansur Challita, que dizia que as civilizações se completam e todas têm a sua contribuição cultural. “(...)A civilização ocidental desenvolveu demasiadamente a mente e não o bastante o coração. Considerou o progresso como uma máquina formidável, mas sem alma. Renegou o legado do oriente que desde milênios, se dedicou ao refinamento espiritual”.

É esse refinamento que está presente no cotidiano do povo árabe, mesclado de conflitos, mas de uma alegria de viver contagiante, que se mescla no seu sorriso largo, nas cores, nos sabores, no cheiro, na sua beleza.

São faces presentes na história desse povo que o mundo ocidental está longe de entender. Entretanto, para compreender é necessário resgatar e mergulhar nas suas raízes. Não como fragmentos de uma cultural ocidentalizada, mas por meio de um conjunto amplo e inseparável de conhecimentos e sentimentos.  

Somente com os olhos profundos e atentos de um falcão é possível descobrir esse amado e único Oriente Médio.

 

Fotos: arquivo pessoal/Jordânia

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Márcia Moussallem é graduada em Ciências Sociais e Serviço Social. MBA em Gestão para Organizações do Terceiro /setor. Mestre e Doutora em Serviço Social ( área de concentração: políticas públicas e movimentos sociais). Professora universitária. Publicou três livros. Colunista do Observatório do Terceiro Setor.

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