Com presença de cineasta argelina e auditório lotado, 14ª Mostra Mundo Árabe de Cinema é aberta no CineSesc, em São Paulo  

qui, 08/08/2019 - 17:16
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Por Suely Melo

Começou nesta quarta, 7 de agosto, no CineSesc, em São Paulo, a edição 2019 da Mostra Mundo Árabe de Cinema. A abertura do evento contou com a presença da cineasta argelina Sofia Djama, diretora do filme “Os Afortunados, que foi exibido para uma plateia lotada e emocionada. 

Na quinta, dia 8, após nova sessão, Sofia conversou com o público sobre sua produção, em debate mediado pela da jornalista Flávia Guerra (leia mais aqui).

O filme é uma das 12 produções que compõem a programação da Mostra este ano, que destaca uma nova geração de cineastas (mulheres) árabes e temas relacionados aos desafios do Mundo Árabe, como a crise de refugiados. Acesse aqui a programação completa. O festival, que fica em cartaz até o dia 14 de agosto, é promovido pelo Instituto da Cultura Árabe – ICArabe e pelo Sesc-SP - Serviço Social do Comércio, com copatrocínio da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira e em parceria com a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil – Fambras, o Instituto do Sono e a Aliança Francesa.

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Representando o presidente do ICArabe, professor Mohamed Habib, o vice – presidente Gabriel Sayegh deu as boas-vindas ao público. “O ICArabe tem um papel fundamental na preservação e transmissão da cultura árabe no Brasil para gerar conhecimento e interação entre a comunidade árabe e brasileira. Proporciona acesso à produções inéditas com destaque internacional dessa cultura oriental”, frisou. “O evento tem uma importância singular, considerando a grande participação da comunidade árabe, que se destaca nas mais diversas atividades neste querido país acolhedor como é o Brasil. A Mostra tem longevidade e está cada vez mais rigorosa na qualidade no calendário cultural de São Paulo”, disse Sayegh

Ele finalizou sua fala agradecendo o patrocínio do Sesc e do Banco do Brasil para a realização do evento, além do Instituto Francês, da Aliança Francesa, Unifesp, Câmara do Comércio Árabe Brasileira, Instituto do Sono e a Confederação das Federações Muçulmanas, “que colaboram para a realização dos nossos sonhos, e ao Instituto de Cultura Árabe pela dedicação”.

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O curador da edição 2019 da Mostra, Arthur Jafet, destacou em seu discurso que “o cinema árabe é reconhecido há anos pelos mais importantes festivais, como Veneza, Berlim e outros. “Apesar da diversidade dos 22 países que compõem o Mundo Árabe, a cultura, os costumes, a política e a religião ainda são vistos de uma forma negativa e estereotipada”, frisou. “O cinema não está livre desta desinformação e incompreensão, sobretudo, quando não está se falando dos filmes de Hollywood. A Mostra dá visibilidade para produções que passariam despercebidas pelo público, no caso dos filmes árabes, isto se torna uma missão”, concluiu Jafet.

Sofia foi aplaudida em diversos momentos durante a sua apresentação, antes da sessão, como quando mencionou que o público ajuda na resistência dessas produções. “Por favor, continuem frequentando as salas de cinema e tragam as suas famílias”, pediu. “O populismo tem tomado conta de uma maneira geral. Sou otimista e acredito que a cultura é feita de ciclos que podem criar outras resistências quanto às instituições e ao público”, enfatizou.

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“Pertenço a uma geração que não frequentou salas de cinema, entretanto, estou aqui apresentando o meu filme. Como pôde acontecer esse milagre? Porque existem pessoas que nos transmitiram amor incondicional ao cinema”, destacou a diretora que agradeceu pelo convite para apresentar a sua produção, que segundo ela foi apresentado nos festivais de Veneza, no circuito comercial da França e na Argélia. “Quero agradecer ao Festival pelo convite que permitiu que esses filmes fossem apresentados aqui. Quero agradecer ao CineSesc que também apresenta o cinema independente, o que significa um ato de militância”, reforçou Sofia Djama.

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A gerente adjunta do CineSesc, Simome Yunes, recordou o começo da iniciativa do ICArabe. “Participo da Mostra desde a primeira edição. Lembro de quando conversei com a Soroya [Smaili] sobre o sonho da mostra de cinema árabe e hoje estamos na décima quarta edição. Estou muito feliz de estar aqui. Gostaria de agradecer a organização e presença de todos”, salientou.

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O representante da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira no evento, Rubéns Hannoun, falou em satisfação e honra pela parceria da realização. “Estamos satisfeitos e honrados. Agradeço pela permanência da parceria e da Mostra. Parabenizo e agradeço o Gabriel Sayegh e aos nossos colegas da Câmara e da nossa diretora cultural”, disse e contou uma novidade. “O propósito da Câmara é conectar árabes e brasileiros no desenvolvimento social, econômico e cultural. Estamos aqui com a ANBA (Agência de Notícias Brasil-Árabe) para anunciar que a lançaremos também na língua árabe”, informou. “Parabéns por mais uma edição”, concluiu.

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Claudio de Mattos Brito Filho, gerente geral do CCBB/SP, que sediará a Mostra em outubro, também deu as boas-vindas ao público. “É com satisfação que o Centro Cultural Branco do Brasil apoia a 14° Mostra de Cinema Árabe. Aproveitando a oportunidade, reforçamos o nosso apoio à cultura árabe”, disse. 

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Para mais imagens do evento, acesse aqui.

Os Afortunados

VEJA PROGRAMAÇÃO COMPLETA

Argélia, França, Bélgica, Catar | 2017 | 102 minuto - 14 anos

Gênero: Drama

Direção: Sofia Djama

Idioma: Árabe, com legendas em português.

Elenco: Nadja Kaci, Amine LANSARI, Lyna KHOUDRI, Adam BESSA, Faouzi BENSAÏDI


Sinopse


Argel, alguns anos depois da guerra civil. Amal e Samir decidiram celebrar seu vigésimo aniversário de casamento em um restaurante. Enquanto estão a caminho, compartilham seus pontos de vista sobre a Argélia: Amal conta sobre ilusões perdidas e Samir sobre a necessidade de lidar com elas. Ao mesmo tempo, seu filho Fahim e seus amigos Feriel e Reda estão vagando em uma hostil Argel prestes a roubar sua juventude. Vencedor de 3 prêmios no Festival de Cinema de Veneza 2017: prêmio de melhor atriz categoria Orizzonte do Festival de Veneza; o Brian Award, pela campanha em prol da democracia, dos direitos humanos, do pluralismo e da liberdade de pensar, e o prêmio Lina Mangiacapri por invocar mudanças à imagem da mulher no cinema.


Sobre a direção


Nascida em Oran, Sofia Djama mudou-se para Argel para completar a licenciatura em Literatura. No início dos anos 2000, começou a escrever uma coletânea de contos nos quais Argel era a principal protagonista. “Mollement un samedi matin” (Languidamente um sábado de manhã), uma adaptação de um deles, foi seu primeiro curta-metragem. Foi amplamente aclamado e recebeu 2 prêmios em Clermont-Ferrand. Isso a encorajou a perseguir sua ambição no cinema. A partir de então, dedicou-se a escrever seu primeiro longa-metragem,